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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Garçom, uma meia muçarela e meia calabresa, por favor!


O Linguageiro ficou mudo porque julho é mês de férias e, se há férias, é tempo de voar para o aconchego da mãe e para os braços do namorado e dos amigos, né? :)

Hoje é segunda-feira e, como quase toda segunda é ingrata por natureza, a postagem de hoje é para chocar uma grande parcela da população brasileira, tanto no que diz respeito às dietas que começam hoje (Oi!?) quanto no que diz respeito ao que muitos andam pedindo por aí nas pizzarias.

Pois é, meu bem, também fiquei chocada quando vi, num livro didático de matemática, a grafia de muçarela. Imediatamente, corri para pedir auxílio a um dicionário e estava lá, grafada com "cê cedilha", a palavra que, para mim, é muito mais saborosa com "SS". :(

Segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss, muçarela é o mesmo que mozarela. A grafia mais comum  mussarela é justificável pela origem da palavra, no italiano mozzarella, mas é pouco aceita pelos dicionários da língua portuguesa.

No Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras (VOLP-ABL), as formas registradas são mozarela (aportuguesamento mais próximo da palavra original), muçarela e muzarela. Por enquanto, nada da tão famosa mussarela.
:(
E, aproveitando a deixa, calabresa é grafada com "S", ok? E, também, por um acaso, muçarela é lá sabor de pizza?! :P

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Está ou estar?

Essa é uma dúvida que assola boa parte da população brasileira que sabe (?) escrever. Tanto quanto "mau com U" e "mal com L", os verbos no infinitivo pessoal causam estranhamento na hora em que muitas pessoas resolvem colocá-los por escrito.

Para explicar a diferença, preciso comentar um episódio que presenciei. Pasmem, ele é real!

Certa vez, cruzei com um texto em que estava escrito, em um diálogo: "Mas quem sou eu para estar falando isso?" Curiosamente, esse texto já havia passado pela correção de um professor de português. Nós, professores de português, somos mortais e não somos obrigados a acertar 100% dos casos. Isso é bem tranquilo, na maioria dos casos. Mas há situações em que não dá pra lembrar dessa nossa mortalidade e esse episódio foi um desses casos.

Pois bem. O texto havia passado pela correção de um professor, que circulou o verbo estar e sugeriu a correção (correção? Oi?) está. Ingenuamente, caí na besteira de comentar que a correção era equivocada. Por quê? O professor, com uns 20 anos de sala de aula, se encheu de direitos e veio tentar-me provar que o engano era meu. Não satisfeito com o fato de eu não engolir as regras que ele estava criando para me explicar por que EU estava enganada, muniu-se de uma gramática e conseguiu cair ainda mais no meu conceito.

Então agora eu explico a questão:

Na construção "Quem sou eu para está/estar falando isso?", encontramos uma locução verbal. Locução, para quem não lembra, é quando duas ou mais palavras se unem para transmitir a ideia de uma só. Quando dois verbos se unem nesse matrimônio, o segundo verbo transmite a ideia principal e o primeiro vai indicar o tempo, modo e pessoa em que o verbo principal (o segundo!) estaria se estivesse sozinho.  Aí, no caso, o verbo principal deve estar em uma das formas a que chamamos de formas nominais. Complicou? Simplifiquemos:

Se a estrutura fosse "está falando", teríamos que simplificá-la para o verbo falar, de forma que ele ficasse no mesmo tempo (presente), modo (indicativo) e pessoa (3ª do singular) do verbo "está". Logo, teríamos: FALA. Afinal, eu falo, tu falas, ele fala, né? Aí, teríamos: "Quem sou eu para fala isso?" Mas... quem 'fala' é 'ele'.

Aí vem o raciocínio padrão da maioria dos pensantes: se a estrutura equivale a "estar falando", é porque eu diria "quem sou eu para falar isso?", né mesmo?

Essa dúvida normalmente existe com os verbos estar, dar, ler e ver, que eu lembre neste momento. Tem gente que sai jogando acento pro alto das vogais a torto e a direito, como em períodos assim:
  • Não sei se vai dá pra passar na sua casa hoje.
  • Vou vê se rola de ir pra festa mais tarde.
  • À noite, vou está em casa.
  • Fulano é fogo! Sabe nem lê!
Se substituíssemos os verbos por outros com os quais não nos estranhamos, não teríamos problemas. Vejamos que fácil! :)

  • Não sei se vai cair...
  • Vou olhar se rola...
  • À noite, vou dormir em casa.
  • Sabe nem escrever!
Escolhi esses verbos porque normalmente as pessoas não costumam sair acrescentando acentos em "olhá" ou "escrevê", por exemplo. Mas aí, amigos, na dúvida, se o lance é nas redes sociais, joga um "h" no final, que alivia. Bonito não vai ficah, mas pelo menos vai dah pra dah uma tapeah.

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Se ainda ficou confuso, aproveito pra socializar uma troca de e-mails que tive com a ABL:


*No e-mail que enviei com "a dúvida", esqueci de observar que, no caso do texto lá do aluno, havia a preposição para e, quando há preposição, não há chance de o verbo estar grafado de outra forma senão no infinitivo: Para fazer as coisas certas /  É hora de comer / Obrigada por deixar os documentos em minha casa.