Uma professora minha me enviou uma mensagem pelo Facebook comentando a última postagem daqui do blog. Pedi a ela que postasse aqui, como um comentário, porque seria enriquecedor. Mas, como se tratava de uma crítica à postagem, ela preferiu escrever de forma privada, para que pudéssemos trocar ideias.
Admiramo-nos reciprocamente, isso é fato, e nunca, em situação alguma, acharia que o comentário dela pudesse-me diminuir. :) Ao contrário, se ela me dissesse "você não sabe do que está falando", não encararia como algo destrutivo, mas que me seria dito para eu melhorar. :)
A mensagem dela continha, em resumo, o seguinte: a gramática normativa precisará aceitar a indistinção entre "onde" e "aonde". O que, na postagem, chamou a atenção dela foi o período em que eu me dizia preocupada com esses usos indistintos, uma vez que eles não causam problemas para a compreensão dos textos. Apesar de elogiar a iniciativa de explicar a diferença, por haver quem prefira obedecer à norma padrão, ela enxergou um preconceito
A preocupação da minha professora foi eu ter usado dois exemplos de interlocuções informais, em que somos relativamente livres para nos expressarmos. Pareceu preconceituoso e, por me conhecer bem, ela me deu esse "puxão de orelhas", porque pode não soar bem diante de muita gente, especialmente da comunidade acadêmica.
Isso é verdade e, como diz o ditado, toda brincadeira tem um fundo de verdade. Tenho, sim, alguns preconceitos. :( Não é bonito afirmar isso, especialmente de uma maneira tão pública, porque a língua é viva e evolui de acordo com o uso. Mas uma coisa queria deixar clara: não critico os que, ao contrário da maioria de nós, não tiveram acesso a uma educação de qualidade, na escola ou mesmo dentro de casa. Para essas pessoas, guardo todo o meu respeito, de coração. Só que me irrita (e muito!) ver pessoas como eu, que passaram por excelentes escolas e faculdades, insistirem em usar o que bem entendem, porque tanto faz.
A propaganda do Shopping Tacaruna, apesar de apresentar uma interlocução informal, não deixa de ser peça veiculada para grande parte da população. Dizer "Tás aonde?" não agride, assim como dizer "Tás onde?" também não. Em inglês, ninguém morre por aprender (decorar) phrasal verbs e não fica resmungando porque to look ≠ to look after ≠ to look up ≠ to look ahead ≠ to look back, etc. Mas, porém, contudo, entretanto e todavia, como "português é muito difícil", a galera da geral tende sempre a simplificar da maneira que lhe for mais conveniente, mesmo que isso signifique transgredir o estabelecido como norma padrão.
Nessa troca de mensagens, comentei que, se essas regências, grafias e concordâncias ainda não aceitas pela norma padrão não merecem restrição quanto ao seu uso, muito em breve expressões como "menas gente" e "meia cansada" também terão de ser aceitas. Quando me dizem "vamos por ali, porque tem menas gente" ou "Fulaninha não vem hoje porque está meia cansada", entendo perfeitamente e mentirá quem disser haver falha na comunicação, né? Todo mundo entende isso e por que seria mais ou menos grave que "Tás aonde?" e "Vou no cinema assistir um filme de Tarantino"? :) Se pode uma hoje, pode tudo, né? Por que pesos diferentes?
Penso que as pessoas deveriam ser menos ariscas com as regras. Desobedecer a algumas faz mal a ninguém, porque a naturalidade é a alma do negócio, mas desobedecer mesmo quando o padrão é pra lá de natural? O_o Disso, sim, queixar-me-ei.
Observação:
Após reler esta postagem, percebi muito sarcasmo em quase todos os parágrafos, mas não quero, pelamordedeus, tentar provar que existe alguém certo nessa história toda, ok!? :) Eu só gosto de polêmica. :) E, Gláucia, eu também gosto muito de você! :*


